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Resultados

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) mensura, por meio de entrevistas com produtores agropecuários, a percepção econômica em geral, do Brasil e do estado, além da condição específica do negócio, das indústrias e cooperativas que atuam nos diferentes elos da cadeia. A divulgação é trimestral.

Índice de Confiança do Agronegócio: 109,6 pontos,
queda de 11,5 ponto.

A piora das perspectivas econômicas e a alta dos insumos diminuem a confiança do agronegócio

O Índice de Confiança do Agronegócio (ICAGRO) fechou o 4º trimestre de 2021 em 109,6 pontos, queda de 11,5 pontos sobre o levantamento anterior. São dois os principais motivos que pesaram no resultado. Um deles é a piora da percepção do setor com relação à economia brasileira – acompanhando, portanto, a expectativa do mercado para o crescimento, revisada sucessivamente para baixo em novembro e dezembro, de acordo com os resultados do relatório Focus. O segundo motivo foi o esfriamento dos ânimos causado pelo expressivo aumento nos custos dos insumos, o que perpassa praticamente todos os elos da cadeia e para o qual não se espera solução no curto prazo.

As matérias-primas passam por um momento de oferta escassa e preços em alta, com impacto negativo tanto para as indústrias quanto para os produtores agropecuários (tudo isso, no caso brasileiro, turbinado pela taxa de câmbio em patamares elevados). É importante notar que, apesar da queda, o índice se mantém acima de 100 pontos, na faixa considerada otimista pela metodologia do estudo – resultados inferiores a isso denotam pessimismo.

Índice de Confiança das Indústrias (Antes e Depois da Porteira): 109,3 pontos, queda de 12,7 pontos

O índice das indústrias que fazem parte da cadeia produtiva do agronegócio caiu para 109,3 pontos, 12,7 pontos abaixo do levantamento anterior. O recuo foi mais acentuado nas empresas situadas Depois da Porteira (entre as quais incluem-se as fabricantes de alimentos) do que nas indústrias Antes da Porteira (insumos agrícolas).

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 111,4 pontos, queda de 5,6 pontos

O nível de confiança das empresas situadas Antes da Porteira caiu 5,6 pontos sobre o levantamento anterior, fechando em 111,4 pontos. A percepção sobre as condições atuais até melhorou um pouco – algo compreensível quando se considera que o ano fechou com recordes de entregas de fertilizantes e de vendas de máquinas agrícolas, por exemplo. O que mais pesou no resultado negativo, porém, foi a piora das expectativas dessa parcela da indústria. O ano terminou sem que houvesse uma perspectiva de alívio para questões importantes que afligem o setor.

A oferta e os preços das matérias-primas tendem a continuar pressionados e diversos fatores contribuem para o problema. Um deles é a persistências dos gargalos logísticos – as restrições impostas nos portos do mundo inteiro para controlar a covid-19 aumentam o tempo de espera para embarque e desembarque dos navios, estrangulam o fluxo de contêineres – que deixam de estar disponíveis no momento que se precisa deles. Resultado: o custo dos fretes em 2021 foi multiplicado por sete, segundo informações da indústria. Quase a totalidade das importações de insumos químicos utilizados nos defensivos chegam ao Brasil em contêineres.

Além disso, o mundo todo passa, em graus distintos, por crises energéticas, seja pela necessidade de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa para cumprir acordos ambientais internacionais, seja devido ao aumento dos preços do petróleo, do gás natural e do carvão num momento de retomada do crescimento. Essas questões têm um peso particularmente importante na China, principal fornecedora de matérias-primas para o setor agroquímico, e nas indústrias de fertilizantes – o gás natural e o carvão são insumos para a produção de amônia, matéria-prima para a fabricação de adubos nitrogenados. Soma-se a isso os problemas geopolíticos entre Rússia e a Ucrânia que podem impactar a disponibilidade de fertilizantes com origem na Região. Tudo isso indica um cenário bastante desafiador para as empresas de insumos em 2022.

Indústria Depois da Porteira: 108,4 pontos, queda de 15,7 pontos

Dentre as indústrias, as situadas Depois da Porteira foram as que tiveram maior queda no Índice de Confiança, que fechou em 108,4 pontos, 15,7 pontos abaixo do levantamento anterior. O aumento nos custos dos fretes, a baixa disponibilidade de contêineres e o consequente atraso nos embarques comprometeu o andamento das exportações de produtos como café, açúcar e algodão. Além disso, um ponto importante para esse segmento industrial no 4º trimestre foi o embargo imposto pela China às importações de carne brasileira, ocasionado pela identificação de um caso atípico de doença da vaca louca em Minas Gerais em meados do ano passado. Como resultado, as exportações de carnes brasileiras para a China e Hong Kong fecharam 2021 com uma queda de 47% sobre o ano anterior, prejudicando o desempenho dos frigoríficos. Além disso, questões macroeconômicas, externas e internas, como aumento da taxa de juros, nível elevado de desemprego, queda no rendimento médio das famílias, inflação em alta e maior endividamento das pessoas afetam as expectativas das indústrias de alimentos.

Índice do Produtor Agropecuário: 110,0 pontos, queda de 9,8 pontos

Os produtores agropecuários também fecharam o ano demonstrando uma perda de entusiasmo – pesou mais negativamente a percepção sobre a situação geral da economia do que sobre as condições do negócio. O índice desse grupo teve uma queda de 9,8 pontos, fechando a 110,0 pontos.

Índice do Produtor Agrícola: 112,0 pontos, queda de 9,7 pontos

A queda no índice de confiança do Produtor Agrícola foi de 9,7 pontos no 4º trimestre de 2021, fechando a 112,0 pontos – o resultado mais baixo desde o terceiro trimestre de 2019. Ainda é um patamar relativamente alto, sustentado principalmente pelas avaliações sobre aspectos como preços e crédito. Em ambos os casos o nível de otimismo dos produtores continua em níveis elevados, apesar de um relativo recuo em relação ao trimestre anterior. Deve-se considerar que os preços dos principais grãos continuaram atrativos para os agricultores. A soja fechou 2021 em torno de 140 reais o saco – o milho, próximo de 60 reais o saco (a referência é o Médio-Norte do Mato Grosso). Esses patamares foram mantidos durante praticamente o ano todo, e são praticamente o dobro em relação ao período pré-pandemia. Os custos de produção, porém, contribuíram significativamente para diminuir o entusiasmo, fechando num dos níveis mais baixos já verificados desde o início do levantamento. No caso da soja, por exemplo, os custos vêm de aumentos anuais de quase 30% em duas safras consecutivas. As relações de troca entre grãos e insumos fecharam o ano em patamares pouco atrativos para os produtores rurais.

Índice do Produtor Pecuário: 104,0 pontos, queda de 10,2 pontos

Dentre todos os segmentos pesquisados, o dos pecuaristas é o que fechou o 4º trimestre de 2021 no nível mais baixo de otimismo e mais próximo da neutralidade: 104,0 pontos, queda de 10,2 pontos sobre o levantamento anterior. Houve um pequeno ganho de confiança com relação aos preços, refletindo a alta do boi gordo em novembro e dezembro. Assim como no caso dos agricultores, um recuo na percepção sobre o crédito, que apesar disso se manteve num patamar elevado. Os custos de produção, por sua vez, tiveram uma avaliação ainda pior do que a dos agricultores. Deve-se considerar que os pecuaristas tiveram de lidar, em 2021, com a alta das rações (puxada pelo milho e pela soja), dos insumos para as pastagens (como a ureia) e, no caso dos produtores de gado de corte, com o aumento dos preços dos bezerros, elevando o custo de reposição do rebanho.



A seguir, são apresentados os resultados em cada elo da cadeia produtiva. Os destaques podem ser encontrados através do download.

Agropecuário*
110,0
Produtor Agrícola
112,0
Produtor Pecuário
104,0
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Agricultura = 75% e Pecuária = 25%

9,8**
9,7**
10,2**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
111,4
Índice da Indústria*
(Antes e Depois da Porteira)
109,3
Depois da Porteira
108,4
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Antes da Porteira = 30% e Depois da Porteira = 70%

5,6**
12,7**
15,7**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
111,4
Produtor Agropecuário
110,0
Depois da Porteira
108,4
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
Antes da Porteira = 17%; Dentro da Porteira = 42% e Depois da Porteira = 41%

5,6**
9,8**
15,7**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.