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Resultados

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) mensura, por meio de entrevistas com produtores agropecuários, a percepção econômica em geral, do Brasil e do estado, além da condição específica do negócio, das indústrias e cooperativas que atuam nos diferentes elos da cadeia. A divulgação é trimestral.

Índice de Confiança do Agronegócio: 123,8 pontos,
alta de 8,7 pontos.

Índice de Confiança do Agronegócio: 123,8 pontos, alta de 8,7 pontos

Entusiasmo recorde em praticamente todos os setores do agronegócio

O Índice de Confiança do Agronegócio subiu 8,7 pontos do 3º para o 4º trimestre de 2019, chegando a 123,8 pontos. É o melhor resultado desde o início do levantamento e 8 pontos acima do recorde anterior, alcançado no 4º trimestre de 2018, quando empresas e produtores registravam entusiasmo diante da perspectiva de que o governo recém-eleito adotasse uma postura favorável ao setor agropecuário e às reformas econômicas no Brasil.

Os números do atual levantamento demonstram alinhamento entre as expectativas geradas e a agenda prioritária do executivo e legislativo federais. Como consequência, os principais indicadores econômicos mostravam ao fim do ano sinais de uma recuperação mais consistente. As projeções para o crescimento do PIB em 2019 passaram de 0,82% em meados do ano para 1,17% em dezembro.

Além disso, houve boas razões para manter os ânimos elevados: as entrevistas foram realizadas em dezembro, num momento em que as negociações para encerrar a guerra comercial entre Estados Unidos e China levaram a uma melhora nos preços de algumas das principais commodities agrícolas – sem acarretar, num primeiro momento, perdas substanciais das exportações brasileiras para o mercado chinês, salvo em casos isolados. (O acordo foi assinado em 15 de janeiro.)

Praticamente todos os segmentos pesquisados demonstraram um alto nível de confiança. Houve recorde nos índices dos Produtores Agropecuários e da Indústria Depois da Porteira. As empresas de insumos ficaram a apenas 0,4 ponto de seu melhor resultado. Segundo a metodologia do estudo, os resultados indicam otimismo quando ficam acima de 100 pontos – abaixo disso, o sinal é de pessimismo.

Índice de Confiança da Indústria (Antes e Depois da Porteira): 122,2 pontos, alta de 3,5 pontos

O Índice de Confiança das Indústrias ligadas ao agronegócio subiu 3,5 pontos do 3º para o 4º trimestre de 2019, chegando a 122,2 pontos, é o melhor resultado da série histórica, superando o recorde anterior, registrado no terceiro trimestre de 2019.

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 122,5 pontos, alta de 3,2 pontos

A confiança das empresas de insumos agropecuários cresceu pelo terceiro levantamento consecutivo, fechando em 122,5 pontos, alta de 3,2 pontos em relação ao trimestre anterior. Parte desse segmento chegou ao fim de 2019 com boas expectativas. As indústrias de fertilizantes, por exemplo, começaram a fechar negócios para a safra 2020/21 com uma antecipação raramente vista. Fabricantes de defensivos agrícolas também fecharam o trimestre com a expectativa de confirmar o segundo ano consecutivo de crescimento de mercado, deixando definitivamente para trás um período de estagnação que se estendeu de 2014 a 2017.

Indústria Depois da Porteira: 122,0 pontos, alta de 3,6 pontos

O Índice da Indústria Depois da Porteira chegou a 122,0 pontos, alta de 3,6 pontos em relação ao levantamento anterior. O resultado foi em boa parte puxado pelas indústrias de alimentos – especialmente as de carnes, favorecidas pela alta dos preços e das exportações no fim do ano.

O setor sucroalcooleiro também teve motivos para melhorar o ânimo: no fim do ano passado, os preços do açúcar começaram uma recuperação no exterior e as cotações do etanol se mantiveram em alta no mercado doméstico. Algo parecido aconteceu com os exportadores de café, que viram os preços aumentar no último trimestre de 2019.

Para as empresas de logística, 2019 foi um ano de elevada movimentação de cargas, em razão dos grandes volumes de soja e de milho destinados à exportação. Vale ressaltar que as melhoras nos indicadores de crescimento econômico se refletem diretamente no setor de alimentos, que espera uma reação mais acentuada do consumo no mercado doméstico.

Índice do Produtor Agropecuário: 126,2 pontos, alta de 16 pontos

Os produtores agropecuários mantiveram entusiasmo crescente no 4º trimestre do ano, com o índice de confiança chegando ao recorde de 126,2 pontos, alta de 16 pontos sobre o levantamento anterior. Pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser realizado, tanto os produtores agrícolas quanto os pecuaristas compartilham níveis elevados de entusiasmo na variável que avalia as Condições do Negócio.

Índice do Produtor Agrícola: 125,7 pontos, alta de 13,5 pontos

A confiança dos produtores agrícolas chegou ao 4º trimestre de 2019, fechando em 125,7 pontos, alta de 13,5 pontos. Uma das razões foi a recuperação dos preços de alguns dos principais produtos agrícolas no mercado externo, como soja, milho e café. Foi uma consequência, em parte, à reação positiva do mercado às negociações entre americanos e chineses que culminaram com a assinatura de um acordo comercial parcial em 15 de janeiro, afastando o que era até recentemente uma grave ameaça ao crescimento da economia mundial.

A alta dos preços contribuiu para melhorar a relação de trocas de produtos por insumos, estimulando os agricultores a antecipar as compras de fertilizantes para a próxima safra (2020/21).

Internamente, deve-se destacar também o excelente momento para o crédito rural, com juros baixos e aumento nos recursos disponíveis. Do 3º para o 4º trimestre de 2019, a taxa Selic foi reduzida, mantendo uma trajetória de queda. O resultado poderia ter sido ainda melhor, não fosse uma relativa diminuição na confiança no que diz respeito à produtividade das lavouras. O clima demorou mais do que o esperado para se regularizar em regiões produtoras importantes, tornando o período de plantio da safra de verão um pouco mais atribulado do que no ano anterior – chegou a faltar chuva em partes do Paraná, do Mato Grosso do Sul e do interior de São Paulo.

Índice do Produtor Pecuário: 127,7 pontos, alta de 23,3 pontos

Em nenhum outro momento da série histórica os pecuaristas brasileiros estiveram tão otimistas. Seu índice de confiança aumentou 23,3 pontos do 3º para o 4º trimestre de 2019, fechando o ano a 127,7 pontos.

O principal aspecto por trás do otimismo são os preços: as cotações do boi gordo dispararam no fim do ano, com a elevação das exportações de carne para atender a demanda de proteína pela China, onde a Febre Suína Africana dizimou rebanhos. O índice que avalia a variável preços bateu em 149 pontos, alta de 49 pontos sobre o 3º trimestre e bem acima do recorde anterior, que foi de 114 pontos no 2º trimestre de 2016.



A seguir, são apresentados os resultados em cada elo da cadeia produtiva. Os destaques podem ser encontrados através do download.

Agropecuário*
126,2
Agrícola
125,7
Produtor Pecuário
127,7
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Agricultura = 75% e Pecuária = 25%

16**
13,5**
23,3**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
122,5
Índice da Indústria*
(Antes e Depois da Porteira)
122,2
Depois da Porteira
122,0
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Antes da Porteira = 30% e Depois da Porteira = 70%

3,2**
3,5**
3,6**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
122,5
Produtor Agropecuário
126,2
Depois da Porteira
122,0
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
Antes da Porteira = 17%; Dentro da Porteira = 42% e Depois da Porteira = 41%

3,2**
16**
3,6**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.