a ICAGRO

Resultados

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) mensura, por meio de entrevistas com produtores agropecuários, a percepção econômica em geral, do Brasil e do estado, além da condição específica do negócio, das indústrias e cooperativas que atuam nos diferentes elos da cadeia. A divulgação é trimestral, juntamente com o painel de investimentos.

Índice de Confiança do Agronegócio: 98,5 pontos,
queda de 8,6 pontos

Índice de Confiança do Agronegócio: 98,5 pontos, queda de 8,6 pontos

As incertezas corroem a confiança do agronegócio.

O aumento das incertezas quanto aos rumos do Brasil esfriou o entusiasmo no agronegócio. O Índice de Confiança do setor chegou a 98,5 pontos, uma queda de 8,6 pontos em relação ao 1º trimestre do ano, quando alcançou o valor mais elevado (107,1) desde que o indicador começou a ser medido, no fim de 2013. O resultado ligeiramente abaixo dos 100 pontos indica pessimismo moderado. De acordo com a metodologia do estudo, resultados superiores a 100 pontos demonstram otimismo.

As entrevistas para o levantamento do índice ocorreram durante e logo após a greve dos caminhoneiros que praticamente paralisou o país por cerca de 10 dias, do fim de maio ao início de junho. O movimento colocou em evidência a perda de fôlego da recuperação econômica e as dúvidas quanto aos projetos que emergirão das urnas nas próximas eleições.

De fato, a principal contribuição para a perda de confiança se deve à piora significativa na percepção quanto a situação do país, que caiu bruscamente em todos os elos pesquisados da cadeia. Isoladamente esse indicador recuou 41,7 pontos de um trimestre para o outro, uma queda inédita.

Índice de Confiança da Indústria (Antes e Depois da Porteira): 98,5 pontos, queda de 10,6 pontos

A confiança das indústrias inseridas na cadeia do agronegócio caiu de um patamar claramente otimista para uma situação de leve desconfiança, atingindo 98,5 pontos, 10,6 pontos a menos do que no trimestre anterior. Isso ocorreu tanto com os fabricantes de insumos e máquinas quanto com empresas de alimentos e transporte.

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 99,2 pontos, queda de 16,9 pontos

O Índice de Confiança das Indústrias de Antes da Porteira (fabricantes de insumos) caiu 16,9 pontos, chegando a 99,2 pontos. É a maior queda trimestral desde que o indicador começou a ser medido, e o primeiro resultado abaixo de 100 pontos ― na faixa pessimista do estudo, portanto ― desde o 2º trimestre do ano passado. O resultado reflete a turbulência gerada pela greve dos caminhoneiros. No caso dos fertilizantes, por exemplo, além da deterioração na avaliação sobre as condições gerais da economia, o setor foi fortemente impactado pela paralização - e posterior indefinição sobre o tabelamento dos fretes mínimos. Segundo os dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o mês de maio fechou com entregas de apenas 1,8 milhão de toneladas, cerca de 700 mil t abaixo do volume que seria considerado normal para o mês. Para o segundo trimestre, as entregas de fertilizantes chegaram a 6,5 milhões de toneladas, recuo de 3,2% em comparação com igual período de 2017.

Indústria Depois da Porteira: 98,2 pontos, queda de 7,9 pontos

A confiança das Indústrias Depois da Porteira caiu para 98,2 pontos, 7,9 pontos a menos do que no trimestre anterior. Os ânimos dessas empresas pioraram tanto a respeito das condições atuais quanto em relação às expectativas para o futuro ― embora, nesse último caso, ainda haja um otimismo moderado. Essas empresas demonstram um pouco mais de confiança nas condições do próprio negócio do que nas condições gerais da economia brasileira, que foi o fator preponderante para a queda do indicador.

Índice do Produtor Agropecuário: 98,5 pontos, queda de 6 pontos

Depois de três trimestres consecutivos de alta, o Índice de Confiança do Produtor Agropecuário caiu 6 pontos, se estabelecendo em 98,5 pontos. Mas há uma distinção entre agricultores, que ainda permanecem otimistas, e os pecuaristas, cujo indicador é o mais pessimista entre os segmentos analisados no estudo.

Índice do Produtor Agrícola: 102,9 pontos, queda de 4,3 pontos

A perda de confiança dos produtores agrícolas foi a menor dentre todos os segmentos avaliados: o indicador caiu 4,3 pontos, chegando a 102,9 pontos e se mantendo na faixa considerada otimista. Ainda assim, é importante destacar a interrupção de uma trajetória de três altas consecutivas, iniciada no 3º trimestre do ano passado. A percepção a respeito da economia brasileira pesou para a queda. Outro aspecto negativo são os custos, cujo indicador de confiança é o mais baixo desde o primeiro trimestre de 2016, pressionado principalmente pelas expectativas. Muitos agricultores já anteveem que terão de pagar mais pelos insumos, diante do esperado aumento nos fretes e repasse da alta do dólar observado nos últimos meses.

O fato de os produtores agrícolas sustentarem uma certa confiança pode ser explicado principalmente pelo momento no mercado de grãos, cujos preços permanecem num bom patamar, apesar de uma relativa desvalorização no fim do 2º trimestre. Para ficar em dois exemplos: de junho de 2017 a junho deste ano, a soja valorizou quase 24% ― o milho, mais de 50%.

Índice do Produtor Pecuário: 85,3 pontos, queda de 11 pontos

Dentre todos os grupos pesquisados neste estudo, os produtores pecuários são os mais pessimistas. Seu índice de confiança caiu para 85,3 pontos, 11 pontos a menos do que no trimestre anterior. Os pecuaristas de corte são os mais desanimados: os preços do boi gordo estão em queda desde janeiro. Os produtores de gado leiteiro, por sua vez, impediram uma perda de confiança ainda maior, tendo em vista a recuperação dos preços do leite nos últimos meses. Outra variável que pesou para a percepção pessimista do produtor pecuário foi o custo de produção (48,9 pontos), que recuou para níveis similares ao observado em meados de 2015 e início de 2016.



A seguir, são apresentados os resultados em cada elo da cadeia produtiva. Os destaques podem ser encontrados através do download.

Agropecuário
98,5
Agrícola
102,9
Produtor Pecuário
85,3
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.

6,0**
4,3**
11,0**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira*
99,2
Índice da Indústria
(Antes e Depois da Porteira)
98,5
Depois da Porteira*
98,2
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.

16,9**
10,6**
7,9**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
99,2
Produtor Agropecuário
98,5
Depois da Porteira
98,2
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.

16,9**
6,0**
7,9**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.