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Resultados

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) mensura, por meio de entrevistas com produtores agropecuários, a percepção econômica em geral, do Brasil e do estado, além da condição específica do negócio, das indústrias e cooperativas que atuam nos diferentes elos da cadeia. A divulgação é trimestral, juntamente com o painel de investimentos.

Índice de Confiança do Agronegócio: 111,9 pontos,
queda de 3,9 pontos.

Índice de Confiança do Agronegócio: 111,9 pontos, queda de 3,9 pontos

O agronegócio brasileiro começou 2019 sustentando o ânimo em alta. O Índice de Confiança do setor fechou o 1º trimestre do ano em 111,9 pontos. É o segundo melhor resultado da série histórica, apesar do recuo de 3,9 pontos em relação ao recorde do 4º trimestre de 2018. De acordo com a metodologia do estudo, há otimismo quando o indicador está acima de 100 pontos – abaixo dessa marca, o ambiente é pessimista.

O entusiasmo persiste principalmente devido aos produtores. Eles se mantêm confiantes com as condições gerais da economia brasileira, não obstante as dificuldades iniciais do novo governo em levar adiante reformas importantes como a da Previdência. O fato é que o agronegócio é tema frequente, com abordagem quase sempre positiva nas manifestações do presidente e dos ministros, com alguns avanços em áreas relevantes aos agricultores e pecuaristas. Iniciativas na infraestrutura por meio da concessão de investimentos para a iniciativa privada, bem como posicionamentos da área ambiental que reconhecem os avanços conquistados pelo setor, são exemplos que dão sustentação à percepção positiva.

De maneira geral, as indústrias ligadas às cadeias agropecuárias também mantêm a confiança, embora o entusiasmo com as condições gerais da economia tenha recuado um pouco em relação ao recorde do final de 2018.

Índice da Indústria (Antes e Depois da Porteira): 113,6 pontos, queda de 3,7 pontos

As empresas ligadas às cadeias agropecuárias apresentaram um recuo nas expectativas relacionadas às condições da economia brasileira. Essa foi uma das razões que levaram a uma queda de 3,7 pontos no Índice de Confiança da Indústria (Antes e Depois da Porteira), que fechou o 1º trimestre do ano em 113,6 pontos.

Indústria Antes da Porteira (Insumos Agropecuários): 115,2 pontos, queda de 7,7 pontos

A queda se deve, em parte, ao avanço lento das vendas de insumos agropecuários para a próxima safra de verão nas regiões onde a negociação costuma ocorrer com maior antecipação, como o Centro-Oeste e o Mapitoba. Com as relações de troca dos insumos em níveis desfavoráveis, os produtores rurais mostraram pouca disposição para fechar as compras.

Apesar disso, o Índice de Confiança dos fabricantes de insumos (Antes da Porteira) se mantém na faixa considerada otimista, em 115,2 pontos. O bom desempenho de setores como o de máquinas e equipamentos agrícolas no 1º trimestre ajudou a sustentar esse resultado: segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de maquinas agrícolas no mercado interno nos três primeiros meses de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018, subiam 21%, desempenho puxado pelas vendas de colheitadeiras de grãos (58%).

Indústria Depois da Porteira: 112,9 pontos, queda de 2,0 pontos

O Índice de Confiança da Indústria foi o que se manteve mais estável em relação ao trimestre anterior: 112,9 pontos, uma queda de apenas 2,0 pontos. Os ânimos esfriaram um pouco em relação às condições atuais da economia – algo até natural, tendo em vista o forte otimismo demonstrado no final do ano passado.

Observa-se, no entanto, um descolamento quanto às expectativas para os próximos meses, mais positivas, tendo em vista a crença na aprovação de reformas, como a previdenciária.

É bom lembrar também que há nesse grupo a participação dos frigoríficos, que estão sendo beneficiados pela reabertura de mercados e pela perspectiva de aumento nas exportações devido ao avanço dos casos de Febre Suína Africana na China, em um momento em que o câmbio é favorável à exportação e se espera uma segunda safra recorde de milho, fator que também estimula o otimismo entre as empresas de logística.

Índice do Produtor: 109,5 pontos, queda de 4,3 pontos

Os produtores agropecuários mantêm o entusiasmo com a economia brasileira, o que fez o Índice de Confiança desse grupo permanecer na faixa considerada otimista pelo estudo, em 109,5 pontos — queda de 4,3 pontos sobre o último trimestre do ano passado. Os ânimos esfriaram um pouco principalmente por aspectos relacionados às condições do negócio, como o crédito e a produtividade.

Produtor Agrícola: 110,7 pontos, queda de 4,6 pontos

Os produtores agrícolas fecharam o primeiro trimestre do ano com expectativas mais moderadas do que no fim de 2018, mas ainda bastante otimistas. Seu Índice de Confiança foi de 110,7 pontos, 4,6 pontos a menos do que no trimestre anterior. Um dos aspectos que puxaram esse recuo foi a produtividade das lavouras de soja, que não repetiram os recordes da safra passada, principalmente em regiões afetadas pela seca do início do ano, como o Oeste do Paraná e o Sul do Mato Grosso do Sul.

A avaliação sobre o crédito foi outro item que teve retração acentuada em relação ao trimestre anterior: a queda de 19% no volume de recursos liberado para o pré-custeio agrícola influenciou de forma negativa os ânimos dos produtores. Em termos de cultura, destaca-se a queda no volume de recursos da soja (-35%), cana-de-açúcar (-13%) e milho (-12%).

É importante notar que as entrevistas para o estudo foram realizadas em um momento em que os preços aos produtores ainda não haviam recuado com a intensidade que ocorreu em abril. Além disso, na época, muitos produtores sustentavam uma expectativa de que os custos com insumos poderiam melhorar ao longo do ano, mas isso até agora não aconteceu. Esses dois aspectos – preços em queda e custos em alta – poderão ser destaques no relatório do 2º trimestre.

Produtor Pecuário: 106,1 pontos, queda de 3,5 pontos

O Índice de Confiança do Produtor Pecuário chegou a 106,1 pontos, queda de 3,5 pontos. Apesar do recuo, é a primeira vez em que o indicador dos pecuaristas se mantém na faixa considerada otimista por dois trimestres consecutivos. Houve, de maneira bastante semelhante ao que ocorreu entre os produtores agrícolas, uma redução das expectativas relacionadas à produtividade e ao crédito – mas com ambos os aspectos ainda avaliados de maneira positiva pelos produtores pecuários. Essa ligeira perda de confiança foi em parte compensada por uma melhora relativa dos ânimos em áreas que não vinham tão bem avaliadas nos trimestres anteriores. Uma delas diz respeito aos preços, que de fato se mantiveram em níveis um pouco melhores do que em períodos recentes, tanto no caso do leite como no da carne. O preço bruto médio pago ao produtor de leite foi 30% maior no primeiro trimestre de 2019, em comparação à idêntico período do ano anterior, segundo dados do Cepea/Esalq-USP. Nesse mesmo período, a cotação do boi gordo subiu 4%.



A seguir, são apresentados os resultados em cada elo da cadeia produtiva. Os destaques podem ser encontrados através do download.

Agropecuário*
109,5
Agrícola
110,7
Produtor Pecuário
106,1
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Agricultura = 75% e Pecuária = 25%

4,3**
4,6**
3,5**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
115,2
Índice da Indústria*
(Antes e Depois da Porteira)
113,6
Depois da Porteira
112,9
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
*Antes da Porteira = 30% e Depois da Porteira = 70%

7,7**
3,7**
2,0**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.
Antes da Porteira
115,2
Produtor Agropecuário
109,5
Depois da Porteira
112,9
Abaixo de 100 indica pessimismo. Acima de 100 indica otimismo.
Antes da Porteira = 17%; Dentro da Porteira = 42% e Depois da Porteira = 41%

7,7**
4,3**
2,0**
** Variação (em pontos) em relação ao trimestre anterior.